sábado, 26 de novembro de 2016

ELA VAI LER E LEU...

capítulo 1
ELA VAI LER E LEU...

1 §  Não sei como começar, mas sei como começou. Havia em meu celular uma imagem sua…. Daquelas que tinha eu recebido fazia um bom tempo, talvez tanto que mal lembrava da imagem. Acho que por ter-la guardada na memória de forma tão viva, não consegui saber se ainda a foto existia no meu aparelho. E talvez por isso era indiferente. Quinta vivi um inferno em meu corpo cansado. A exaustão e a pressão de não ter grana para pagar as contas, coisas que os adultos sofrem, já sou adulto, acho…. Acho também que maior pressão foi acordar depois de umas seis horas de sono. Cara, dormir pouco tem me feito um homem acabado, no sentido de limitado e aqui me limito a seguir o causo. Os olhos abrem com o som do despertador. A mão rasteja pela cama a procura do objeto que soa como gritos de agonia em forma de bipes. Ao tocar e silenciar o maldito, sigo o roteiro padrão. Acesso os e-mails para ver quantas coisas que terei de responder depois do almoço (preguiça), olho se alguém me mandou alguma mensagem e de modo anormal abro, naquela manhã, a galeria. Quarenta e nove imagens, lembro bem, o dedo passa e logo para. Visualizo uma que logo me acorda… Era a sua imagem, deitada com um sorriso que me desconcertou no dia enviado, então no dia... nesta quinta melhor dizendo a coisa começou diferente. Cara, que mulher é essa mesmo?  Eu aqui me perguntando, soou uma besteira, assim como vocês que leem e mal sabem que ela lê também…

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Facas, acas, cas, às

A faca veio, aliás ela sempre vem! Coitado de mim ser cortado e ter parado o nada para algo de suma importância. Devolveram o meu coração! Lembraram como ele funciona e desta maneira não posso ser diferente daquilo que tenho! Não devo ter vergonha, ou devo, tanto faz na real. Ter alguém que acredita na minha loucura me faz me sentir um tolo! Tolo por ter um amigo que precisa perder seu tempo para me lembrar o que sou, mas amigos são assim e assim vou viver, sendo amigo.
A teia estava começando a acumular e fora preciso um simples tapa, um girar de cabeça, um ângulo diferente! Precisava ver o espelho que tanto pó pegou que só via a teia! Onde está a aranha? Seria eu esta pobre e nefasta criatura? Seria eu um verme de Kafka e estaria a passar a gosma por tudo o que tenho ao meu alcance? Não sei, apenas sei que tenho quem me lembre da minha loucura!
E você o que tem o verme ou a loucura? É a aranha que se prendeu na própria teia? Me diga quem tu és, que não direi nada, pois para mim é irrelevante! Mas responda a ti, pois deve lhe ser fundamental!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Aos amigos!

O tempo passou com uma violência por mim, perdi algo que não fora só uma data, perdi aquilo que não sei nem mesmo dizer o que é. Faço ausente para tantos e até para mim, quem sou eu mesmo? A própria loucura que encaro todo dia? Será que cai nas teias de minhas ocupações? De estresses que uma lista tão seleta de amigos que conseguiriam me entender?
Hoje percebi do que tanto me esquivo. Sou um fugitivo de mim. Corri tanto para ficar em paz, que tortamente isso me levou a buscar a uma espécie de “momento a só”.  Alguns de meus grandes amigos estão longe. Preciso apenas do que então? Os trazer de volta? Aproximar? Estou morto demais para isso. A teia é tão fina, mas ainda me segura tão bem... É incrível como é confortável a espera da morte. Ela desfila e aos poucos nos leva da aparência, da personalidade, de alguns hábitos e de nós mesmos.

Hoje vejo que poucos estão com tamanha destreza pra entender que o mundo está como uma faca. CORTE-ME! E me ensine a me dividir. Em quantos amigos quiserem de mim alguma parte. Alguém arranque de mim o medo de me perder em tantos outros. Pois novamente já estou aqui confessando que recém me achei.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Olhar de pensar para se pensar

Aquele olhar eu tenho a total certeza de não estar vago, apenas olhando e contemplando o nada. Admirando o vazio, ela olhava e pela fisionomia de seu rosto estava a pensar, mas o que seria? O que passava pela cabeça a qual observei naquele estranho momento? Entre uma virada de página, aqueles olhos mostraram a mim um dos mistérios mais profundos e talvez a outros olhos o mais profanos. Pegou-me de susto ver minha gata com semblante pensativo enquanto lia e sussurrava um trecho de um livro...
“Os conhecimentos podem ser transmitidos, mas nunca a sabedoria”
Será que ela, assim como eu, estava a refletir o que a informação que daquele livro saíra?

Eu me vi perdido sobre o que deveria pensar se na frase ou a gata... no que eu deveria pensar? Se gatos pensam ou se posso dizer que tenho mais conhecimento do que sabedoria? Pedi a gata então e ela olhou para mim e com sua cara de sono voltou a dormir. Decidi então aprofundar na frase, na vida e no mundo. Assim passei a tarde com aquela coisa na cabeça, meio perdido, meio encontrado em um livro em um olhar de gato.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

o texto da palestra

Cada um de nós encontra um meio no qual nos é mais familiar nos expressar. Sendo expressar o objetivo puro de toda e qualquer forma de arte. Fazer arte muitas vezes (e principalmente no começo) não é ser famoso, reconhecido, em muitos casos, não é nem mesmo sinônimo de ganhar bem. Fazer arte é se expressar seja movendo-se no ar, no papel, no tecido, na tela, em algum instrumento, ferramenta ou de qualquer outra forma ou meio.
Talvez vocês ainda não notaram como expressam o que há dentro de vocês. Quando não se produz, se copia, ou estou errado? Ou nas músicas que escutam não possui na letra aquilo que há dentro de vocês? O que vestem não é o que querem mostrar e esconder? O que rabiscam não lhes diz respeito?
 No começo é tudo cópia mesmo, mas cada arte permite fazer “clones” diferentes. Os músicos fazem “covers”, os dançarinos imitam as coreografias, os escritores usam as palavras de outros para se expressar e cada forma de arte tem sua forma de copiar.
Depois adaptamos o que sabemos e gostamos a aquilo que queremos expressar. Assim veremos cada vez mais a nossa própria cara naquilo que fazemos, seja isso no papel, na roupa, na tela, nos movimentos, ou na vida, pois esta é a única em que somos agraciados com o dom de poder desfrutar independente das ferramentas que temos ou não. O que basta para viver é estar vivo, o que basta para fazer arte é ter algo para expressar, algo para mostrar.

Eu, o que gostaria de pelo menos lhes ter mostrado é que toda forma de expressão é uma forma de arte. E dizer para mim que vocês não são artistas é o mesmo que dizer que não pensam, não vivem, não se movem e estão sempre pelados. Vocês apenas vão descobrir de que forma ou no que são melhores apenas experimentando, partirá sempre de vocês descobrirem quem são. O que os outros dizem sobre o que sua pessoa é, é o mesmo do que dizer o que tem no mar apenas olhando para a superfície. Não temam nunca o que podem dizer e pensar sobre cada um. Tenham medo, na verdade, é deixar a vida passar e não ter sido aquilo que sonharam em nenhum momento de suas vidas.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

lembrança de desafio

Lendo um livro, lembro que recebi um convite no ano passado para fazer uma espécie de palestra na escola em que estudei. A memória veio e com ela a lembrança do medo, o que falar, o que dizer a uma escola inteira? Eu ao receber o convite, fiquei feliz, o professor que havia dado a ideia de me colocarem lá, deu-me uma semana para pensar se queria ou não. Passada uma semana eu aceitei, mesmo com medo, eu encararia uma platéia repleta de jovens e alguns professores, sem ter publicado um livro, apenas por escrever poesias eu arriscaria algo lá.
Passado o ano ficou para mim apenas a lembrança do convite e o texto que escrevi para me basear em algo que diria. Incrível, fora minha percepção naquele dia para não dizer do convite para alguém, pois ouve uma desistência, esta não sendo minha, deixo-me tranquilo comigo mesmo, não me frustei por não ter feito, mas teria sido uma experiência ótima para mim.
Eu arriscaria, faria algo novo, mas não foi possível. Acho que devemos ter o costume de não fraquejar perante aos desafios, eu tentaria vencer-lo, mas não acreditaram em mim, apenas eu... E vos digo que era o suficiente para pelo menos tentar!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

vendo sonhos

Acostumado com a vida corrida de trabalhador que tinha seguia para o batente, como tinha me atrasado um pouco cortei o café da manhã para poder chegar um pouco mais cedo.Neste dia encontrei um homem era um senhorzinho, simpático e sorridente. Ele sobre seu cassaco de cor cinza havia uma placa amarela com letras vermelhas escrito "vendo sonhos". Eu com fome e pressa para ir ao trabalho, um tanto curioso com aquele senhor, o pedi um sonho. O homem ao ver meu pedido, fez uma careta e disse que teria que caminhar um pouco com ele, a fome era tanta que eu aceitei, fomos caminhando pela rua principal da cidade, bem dizer a única rua asfaltada naquela minúscula cidade.
 Mas a padaria não chegava nunca e eu olhava para ele e ele olhava para mim e ficava cada vez mais sério. Até que em um ponto ele pedia para sentar, como não havia bancos sentamos no meio fio. Então ele começou a falar;
" Incrível, não acha, esta cidade é tão pequena, que não nos deixa nem sonharmos por nossa conta. Olhe para essas poucas pessoas que aqui transitam, elas têm em suas mentes que todos os sonhos só se podem ser realizados fora daqui, pois aqui, dizem elas falta tudo... Devo lhe dizer também que nas cidades grandes acontece o mesmo só mudam mesmo as desculpas, 'essa cidade é muito grande, muitos já fracassaram nisso, não terá público para manter' dizem elas. Mas me responda, se sonhar é algo que vêm de dentro de nós, por que precisamos tanto de aprovação?"
Eu olhei para aquele senhor e fiquei pensando em todos meus sonhos. Ele ia se levantando e eu o questionei o quanto lhe devia e ele sabiamente dizia "sonhar não custa nada".